E se…

Gostaria de falar sobre duas palavrinhas insolentes. Tão curtas que alguns nem as considerariam como palavras. Talvez não sejam. Mas fazem toda a diferença do mundo. Você já as disse. Eu já as disse. E talvez nem tenhamos ideia de quantas vezes já as dissemos durante nossa vida.

Mas o mais importante de tudo é que elas, juntas, têm um poder que quase não pode ser medido. Simplesmente porque trazem junto com elas aquelas ideias mais profundas da sua mente. Aquelas ideias que poderiam ser consideradas nada convencionais por outras pessoas.

E esse é o grande poder. Porque, muitas vezes, preferimos seguir o caminho lógico das coisas. O caminho usual. Aquele caminho mais do que batido, que todos seguem e que já se tornou totalmente sem graça.

E é nesse ponto em que, muitas vezes, ficamos sem ideias. Ficamos sem ter por onde seguir para solucionar algum problema, para criar e inventar algo. Para dar vida a algo totalmente novo, que ninguém ainda tenha pensado a respeito.

É exatamente nessa hora que proferimos essas duas palavrinhas. É quando nossa mente dá um basta a toda essa história de ser normal, de seguir por aquele caminho convencional, que todos acham o mais natural. É nessa hora que nosso cérebro vira e fala “ah, vou chutar o balde e dar uma ideia muito louca para resolver esse problema”. E pronto, soltamos as palavrinhas.

Sim. Toda boa ideia começa com um “e se”. Toda. “E se” fosse possível colocar o homem na Lua? “E se” déssemos um jeito de popularizar o computador para que todos pudessem ter acesso a um? “E se” pudéssemos conversar uns com os outros por meio de uma grande rede interligada mundialmente? “E se” estudássemos essa substância para curar alguma doença?

E isso funciona muito bem com a literatura. Ainda mais quando se trata de histórias nada convencionais, como terror, suspense ou ficção. E se bichos de pelúcia ganhassem vida? E se uma simples aposta se transformasse em um terrível acontecimento? E se um senhor já bastante idoso não fosse tão inocente quanto parece ser? E se o Natal e o Ano Novo tivessem um lado B?

O “e se” também está presente em nossas vidas em um sentido mais amplo, mais ligado ao medo. Medo esse que também pode ser levado para a escrita, para a criação de novas situações, de novas histórias. Ele vai desde questões superficiais, como “e se eu não levar o guarda-chuva e chover?” ou “e se eu me atrasar mais uma vez?” até questões filosóficas, como “e se tudo em que eu sempre acreditei estiver errado?”.

“E se eu tiver tomado as decisões erradas?”, “E se eu tiver acreditado nas pessoas erradas?”, “E se ao final da minha vida eu perceber que deixei muita coisa que queria fazer para trás?”.

“E se ao final da minha vida eu perceber que já não há mais tempo para fazer o que eu gostaria?”, “E se não houver uma segunda chance?”, “E se não houver nada do lado de lá?”, “E se houver, mas não for nada igual ao que eu sempre acreditei?”

Antes que você ache que este é um caminho perigoso, saiba que o “e se” é quase uma dádiva. Porque essas duas palavrinhas dão o poder necessário para que você possa criticar aquilo que sempre achou normal, convencional, natural, e, até mesmo, o que você sempre considerou como certo ou errado.

O “e se” cria novas situações, novos mundos. Cria novas oportunidades. Sua mente dá o chute inicial. Resta a você a decisão de colocar em prática ou não.

O “e se” coloca um universo inteiro em suas mãos. E aí cabe a você moldá-lo como você bem entender. Moldá-lo da sua forma, do seu jeito, da forma como você bem quiser.

E, depois, é só aproveitar a sua criação. E partir para a próxima. Porque sempre haverá um novo “e se” esperando, prontinho para ser descoberto e para ganhar vida.

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