Quem conta um conto…

Eu sou um grande fã de contos. Sim, isso é um fato. Um livro de contos me cativa de uma maneira quase indescritível.

A pergunta natural seria “Mas por quê?”. Bom, não existe um único motivo apenas. Existem vários.

O conto tem uma velocidade surpreendente.
Ele vai de zero a cem em poucas palavras. Um conto, muitas vezes, é exatamente como a largada de uma corrida de Formula Indy, já começando em alta velocidade. Você precisa acompanhar, entrar no ritmo, ou pode perder o andamento da história e ficar para trás. Mas se engana quem pensa que um conto não tem períodos de calmaria. Sim, ele também os tem, e alterna de uma velocidade alucinante para uma lentidão tão surpreendentemente interessante que, muitas vezes, você nem se dá conta disso.

Um conto tem a duração perfeita.
Ele encaixa direitinho naqueles momentos em que você tem pouco tempo. É a duração exata de um período de folga no sofá, de algumas estações de metrô, de uma viagem curta de avião, de uma espera no consultório médico.

Um conto não tem a pretensão de ser o que não é.
Ele não substitui um romance mais longo. Não, de forma alguma. Ele completa lacunas, preenche aquele espaço deixado por aquela sensação gostosa de ter terminado um livro e de ainda estar na fase de “processamento” das ideias.

E o que é melhor do que um conto? Um livro de contos, oras. Sim, exatamente isso. Em um livro de contos, você pode ser levado a diversos mundos, a diversas situações. Você é apresentado a diversas personagens, que podem se interligar sem nunca ao menos terem se conhecido.

Bom, mas há quem torça o nariz para contos. Há quem diga que são histórias curtas, rápidas demais. Há quem diga também que o gênero “contos” está em decadência e fadado ao desaparecimento.

Bom, eu não concordo com isso. Sou um grande fã declarado de Stephen King, que, para mim, é o grande mestre do terror. Creio que você já deve ter lido algum livro dele ou, ao menos, ter visto algum filme baseado em alguma das suas histórias. Stephen King lança, regularmente, coletâneas de contos. Em uma dessas coletâneas, ele disse que continua praticando a arte (quase) perdida dos contos, pois, para ele, é uma sensação indescritível. Para ele, os contos permanecerão vivos para sempre.

É verdade que obras curtas como “Tales from the Crypt”, “Twilight zone” e “Amazing Stories” foram encerradas. Mas se engana quem acha que não há mais público para essas obras. Faça uma busca rápida pela internet e verá uma legião de fãs (inclusive eu).

Em algum momento no passado, alguém disse que a poesia estava morta. Errou feio. E essa é a minha opinião quando alguém acha que não há mais espaço para os contos. Errou feio. E está profundamente enganado.

Ah, e aquela coisa que vive embaixo da sua cama, e que não precisa de mais do que 3 ou 4 mil palavras para existir, concorda comigo… Não acredita? Que tal perguntar pessoalmente para ela?

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